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domingo , 17 de fevereiro de 2019
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LAÍRE ROSADO: O ASSALTO AO DEPUTADO FEDERAL ELIAS MURAD

O ASSALTO AO DEPUTADO FEDERAL JOSÉ ELIAS MUJRAD

Deputdo Fedeeral José Elias Murad

Tive o prazer de conviver, em Brasília, com o deputado José Elias Murad, nascido em 31 de outubro de 1924, em Ribeirão Vermelho (MG), filho de libaneses. Fizemos parte da Comissão Parlamentar para Elaboração de Política de Drogas no Brasil que foi por mim presidida, falecendo em 27 de abril de 2013, aos 86 anos.
Elias Murad relacionava-se bem com a maioria dos deputados, sendo conhecido por ter ideia fixa no combate ao uso e controle das drogas. Foi o criador da associação Abraço, Associação Brasileira Comunitária para a Prevenção do Abuso de Drogas.

Sempre que fazia um pronunciamento, ganhava mais alguns minutos ao repetir “Senhor Presidente, estou concluindo, pois, o discurso deve ser como a minissaia, pequeno, para chamar a atenção, mas de tamanho suficiente para cobrir o principal”.

Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito Destinada a Investigar o Avanço e a Impunidade do Narcotráfico teve ação destacada, passando a receber, constantemente, telefonemas ameaçadores contra sua vida.
Certa vez, a reunião da CPI foi encerrada à noite. Murad estava preocupado com ameaças que acabara de receber, comentando o assunto com colegas da CPI. Retornou ao seu apartamento e resolveu fazer uma caminhada, sozinho, pela quadra onde residia.

Elias Murad foi surpreendido com o surgimento de jovens, armados, ordenando que levantasse os braços. Assustado, ele perguntou: “do que se trata”. Isso é um assalto, respondeu um deles. Aliviado, pois imaginava que seria assassinado naquele momento, Elias respondeu, “Graças a Deus”, e foi logo passando o relógio para os assaltantes.
Terminou rindo com a situação do assalta e, até então, dizia que os dois rapazes nunca entenderiam o motivo de agradecer a Deus, o fato de estar apenas sendo assaltado.

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Explica, mas não justifica

Ouvi, em uma emissora de Natal, um comentarista político questionando a ausência da governadora Fátima Bezerra à reunião com o ministro da Justiça Sérgio Moro, em Brasília. O jornalista chegou a admitir que a governadora não foi por conta do ministro, quando Juiz em Curitiba, ter se constituído no principal algoz do ex-presidente Lula, atingindo mortalmente o PT.
Não acredito nessa suposição. Outros governadores do Partido dos Trabalhadores, como Rui Costa, da Bahia e Camilo Santana, do Ceará participaram do encontro, debateram e ofereceram sugestões ao projeto, que será encaminhado ao Congresso Nacional.
A governadora Fátima justificou a ausência por conta da proximidade da leitura de sua mensagem à Assembleia. Explica, mas não convence. E, o analista faz algumas perguntas. Por que a governadora não enviou o vice-governador Antenor Roberto? Ou o coronel Araújo, secretário de Segurança? Ou o Coronel Alarico José Pessoa, comandante-geral da Polícia Militar? Como uma última alternativa, algum delegado de polícia? Tudo seria admissível, exceto a ausência a essa reunião.
O ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, foi radical em sua crítica. Afirmou ser “um absurdo a governadora faltar e não mandar representante à reunião sobre combate ao crime com Ministro da Justiça. RN é 3º Estado mais violento do país. Atitude revela, no mínimo, desinteresse. Lamentável”, escreveu em seu Twitter.
Contudo, em políticas, estão sempre surgindo situações capazes de aproximar os contrários. A reforma da Previdência poderá ser uma oportunidade para esse diálogo. Mas, não se sabe, ainda, se a governadora Fátima apoiará a reforma à previdência que será proposta ao Congresso pelo presidente Bolsonaro.

Laíre Rosado: De uma tacada só, Onyx derrota Renan e Paulo Guedes.

Depois da vitória no Senado, com a eleição do senador Davi Alcolumbre para a presidência da Casa e a desmoralizante retirada da candidatura de seu principal opositor, Renan Calheiros, os assessores do governo Bolsonaro estão assustados com o resultado.

Com um Senado renovado em mais de 85%, a disputa foi marcada por quebra de regras, desconhecimento do regimento, provocações e muitos dos novos senadores sendo manobrados por outros, mais experientes, operando como verdadeiros inocentes úteis.

Nos bastidores do governo, fala-se em vitória de Pirro. O empenho de Onyx Lorenzoni em derrotar Renan terá impacto negativo nas votações de interesse do governo. Além de Renan, Onyx também derrotou seu colega ministro Paulo Guedes.

O MDB tem a maior bancada no Senado e, como tal, tem direito a escolher a Comissão que pretender. A torcida do Governo é para que Renan Calheiros não seja indicado para presidir nem a Comissão de Justiça, nem a Comissão de Assuntos Econômicos. A decisão, entretanto, é do MDB.

Laíre Rosado é médico, formado pela UFRN em 1969

Laíre Rosado é médico, formado pela UFRN em 1969

Uma nova política?

Os congressistas que assumiram ontem tentam passar a ideia de que mudarão o modo de se fazer política no país. Na Câmara dos Deputados, 243 das 513 cadeiras estão ocupadas por parlamentares que ocupam o cargo de deputado federal pela primeira vez. Houve taxa de renovação de 47,4%, a maior desde 1998.

No Senado a mudança é ainda mais expressiva. Das 54 vagas disputadas no ano passado, 46 foram conquistadas por novos nomes, uma renovação de 85%, fazendo dos novatos a maioria da Alta Câmara.

No Rio Grande do Norte, a renovação foi de 100%, com as derrotas de Garibaldi Filho e desistência de José Agripino em concorrer à reeleição. Outra vaga surgiu com a renúncia da senadora Fátima Bezerra, eleita governadora do Rio Grande do Norte. o que dá aos novatos a maioria na Casa, composta por 81 senadores – é a maior desde a redemocratização.

Grande parte dos legisladores foi eleita na esteira do sentimento de revolta do eleitor com todos que o representavam no Congresso, considerados defensores da “velha política”, alicerçada na corrupção, compadrio e patrimonialismo.

A verdade é que o brasileiro desejou algo novo na política e conseguiu esse objetivo por meio do voto livre. Os eleitos para a atual legislatura têm responsabilidade maior em relação ao que significará a nova política.

E, fica a interrogação; existirá realmente uma “nova política”? Ou tudo voltará a ser como antes, dentro de pouco tempo do exercício dos “novos” mandatos.

Laíre Rosado é médico, formado pela UFRN em 1969
Laíre Rosado é médico, formado pela UFRN em 1969

EXPECTATIVA FAVORÁVEL

EXPECTATIVA FAVORÁVEL

Pode até parecer estranho que o Congresso que retoma os trabalhos nesta sexta-feira esteja sendo visto com expectativas favoráveis pelos eleitores. Há cerca de um ano, pesquisa de opinião pública revelou que 60% dos entrevistados reprovaram a atuação dos parlamentares.

A onda Bolsonaro elegeu deputados e senadores identificados com o discurso de moralização e combate à corrupção. E o presidente eleito chega com respaldo popular com 75% dos eleitores aprovando as primeiras medidas adotadas pela sua administração.

Uma demonstração do apoio do eleitor ao presidente Jair Messias Bolsonaro é que as acusações contra seu filho, senador Flávio Bolsonaro não atingiram a imagem do pai.

Outro fato que chama a atenção é o crescimento do PSL, tornando-se a legenda mais numerosa na Câmara.

A eleição das presidências da Câmara e do Senado, na tarde de hoje é aguardada com expectativa pelo presidente da República que, logo início, pensou em interferir no processo. Terminou rendendo-se ao fato de que não teria condições de vencer a batalha. Recuou e assistirá a reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara dos Deputados e, muito provavelmente, Renan Calheiros para a presidência do Senado.

O otimismo com o Poder Executivo atingiu o Poder Legislativo. Esse estado inicial de aprovação precisa ser mantido e desse entendimento depende a aprovação das reformas que a população está aguardando. E, a aprovação dessas reformas não será tão fácil como a equipe econômica do presidente Bolsonaro bem apregoando.

Desafiando a Imprensa

Mídia

Para o jornalista Mário Sabino, a propaganda oficial é o mensalão da imprensa. O presidente Jair Bolsonaro está em choque com a Rede Globo e com a Folha de São Paulo. Tudo bem, se não estivesse acenando de forma diferente a outros órgãos de imprensa.

O ex-presidente Lula mandou cortar a publicidade da revista Veja. Sua assessoria preferiu investir em blogs de militantes do PT. Tanto a Veja quanto a Folha disseram não depender de verbas oficiais para sobreviverem.

Mesmo sem investir dinheiro público na mídia, pois “a propaganda oficial é o mensalão da imprensa”, é preciso um tratamento respeitoso com a mídia. Se a Rede Globo fosse o fator determinante na política brasileira, não precisaria mais haver eleições. O presidente da República seria um nome por ela indicado. Mas, ninguém nega seu poder de influência junto à população, seja influenciando diariamente a vida dos brasileiros, seja definindo os horários da rotina da população ou nas ideias inseridas em suas telenovelas, com assuntos que analisam desde fatos recentes a debate de temas polêmicos como homofobia, racismo, câncer, etc…

Ouvi de um ministro do ex-presidente Michel Temer que ele estava preocupado com o direcionamento das notícias transmitidas por essa emissora, sempre negativas em relação ao seu governo. Emissários teriam procurado os diretores da empresa com propostas vantajosas para redirecionar o foco em relação ao governo federal. Não obtiveram êxito. Nessa época, havia um projeto embrionário de fazer a ministra do STF, Cármem Lúcia, presidente do Brasil.

Bolsonaro começa a sentir na pele a reação da Rede Globo e dos grandes jornais em relação ao seu governo. Há dois dias que a suspeita de fraude no gabinete do deputado, hoje senador diplomado, Flávio Bolsonaro é o assunto principal na maioria dos veículos de comunicação. É certo que o assunto merece esse destaque, mas sempre existe um comentário para apimentar o caso.

O presidente Bolsonaro não precisa se render à Rede Globo, à Folha de São Paulo, ao Estadão ou a qualquer outro órgão de imprensa. O que se faz necessário é entender que todos devem ser tratados com o devido respeito que merecem.

Padre Quevedo

Padre Quevedo morre aos 88 anos em Belo Horizonte-MG. / Foto: Reprodução
Padre Quevedo morre aos 88 anos em Belo Horizonte-MG. / Foto: Reprodução
Padre Quevedo
Lendo a notícia de que o padre Quevedo havia falecido em 09.01.19, em Minas Gerais, aos 88 anos, lembrei-me de ter participado de palestra proferida pelo religioso no Colégio Marista de Natal, onde conclui meus estudos secundários, no início dos anos 60.
Curioso sobre assuntos relacionados à parapsicologia, havia lido alguns dos seus livros, entre os quais “O que é parapsicologia”, “A Face Oculta da Mente” e “As Forças Físicas da Mente”. Sentei-me nas cadeiras da frente do auditório do colégio quando fui convidado a subir ao palco para uma demonstração prática, como transfixar as bochechas e os braços com longas agulhas, sem que sentisse dor nem houvesse sangramento. Tudo por conta do sugestionamento, explicava o padre Quevedo.

O palestrante contou que se encontrava no confessionário da Igreja, se não me falha a memória, em Salvador-BA, atendendo aos fiéis, quando chegou uma moça, aflita, apelando por sua ajuda, urgente. Sua mãe estava em casa, muito doente e mandou que ela procurasse o padre Quevedo, o único em condições de resolver seu problema.

Quevedo atendeu ao pedido e deslocou-se até o local designado, encontrando a referida mulher que, exultante, perguntou como ele havia sabido que ela estava doente. Ora, foi sua filha que foi à Igreja me chamar, respondeu. Foi então que a senhora, mostrando uma fotografia, revelou que sua filha havia falecido há cerca de 12 anos.

Como isso foi possível? Explicou o padre Quevedo que, no desespero, sem ter a quem apelar, a referida mulher pensou: se minha filha fosse viva, iria chamar o padre Quevedo”. A força do pensamento foi captada pelo sacerdote e terminou por salvar uma vida.
Se alguém questionasse sobre forças anormais, espiritismo ou coisa semelhante sobre fatos dessa natureza, costumava repetir, “isso non ecziste”

São essas duas lembranças que tenho do padre Oscar González QUEVEDO Bruzan, quando de sua visita ao Colégio Santo Antônio, em Natal.

POÇO SEM FUNDO

Arthur Virgílio Neto, manauense, foi prefeito de Manaus, deputado federal e senador da República, estando novamente no cargo de prefeito da capital amazonense. Quando candidato a prefeito, pela primeira vez, realizou pesquisa para saber quais as principais reivindicações dos eleitores. Saúde, saúde e saúde, foi a resposta sempre repetida.

Ouvi do próprio Arthur Virgílio que, vitorioso, passou a investir o máximo possível em ações da saúde. Queria a confiança nele depositada pelo eleitor. Concluído o mandato realizou outro levantamento para aferir sua gestão. Para surpresa, a pior avaliação dizia respeito à área da saúde.

Há quem admita que saúde pública é um poço sem fundo. Sempre faltará recursos em alguns dos seus segmentos. Em termos estaduais, no Rio Grande do Norte, a situação é de calamidade pública. Além do não cumprimento do piso constitucional de investimentos, a dívida com fornecedores é superior a R$ 147 milhões e, no próximo ano, deverá receber R$ 400 milhões a menos, em relação a 2018.

No Rio Grande do Norte, quando candidato ao governo, Robinson Faria prometeu ser o governador da segurança e da saúde. Para mostrar seu interesse, prometia instalar um birô no Hospital Walfredo Gurgel, onde daria expediente diário. Não conseguiu cumprir o que planejara, pois, os recursos financeiros não foram suficientes para tanto.
O futuro secretário de saúde, Cipriano Maia, avisa que será necessário um plano emergencial para evitar o colapso da saúde pública estadual. A situação de calamidade pública foi decretada por três vezes no governo Robinson, sendo possível que a futura governadora, Fátima Bezerra, inicie sua administração prorrogando essa situação por mais alguns meses.

De resto, poderá responsabilizar as administrações anteriores pelo caos instalado no setor.
Pode também lembrar do exemplo de Arthur Virgílio, político e diplomata brasileiro: “a saúde é um poço sem fundo”.

Transformação e diversificação

FHC / OSESP Toffoli STF

Em entrevista publicada nas páginas amarelas da revista Veja, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 87 anos, mostra a lucidez e a experiência de um político que ocupou os mais elevados cargos na política nacional.

José Antônio Dias Toffoli, com apenas 51 anos de vida, está ocupando o posto de presidente do Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte de Justiça do país tendo, antes, sido Advogado Geral da União, no governo Lula.

FHC lembra que o mundo contemporâneo tem muita diversidade. A família era marido, mulher e filhos. Os líderes, hoje, têm ou tiveram várias mulheres. E continua lembrando que a realidade mudou, a diversidade passou a ser parte da vida.

Para Dias Toffoli, presidente do STF e do CNJ, afirma que, diante de uma sociedade em transformação, a Justiça tem que se transformar. Acrescenta que a gestão do Poder Judiciário deve seguir três fundamentos: eficiência, transparência e responsabilização.

Sobre os que foram eleitos em 2018, FHC faz um alerta, ressaltando que política não é uma escolha de quem é mais competente, quem é melhor. É de quem, naquele momento, bate com o sentimento do eleitor.

FHC considera que Toffoli representa o encerramento de um ciclo iniciado com a Constituinte, de 1988. Acredita que esse ciclo não será permanente. O eleitor está apostando no sucesso do novo modelo que se inicia.
Toffoli lembra que a sociedade deposita muita esperança no Poder Judiciário e anseia por resultados. “Se a sociedade está em transformação, a Justiça também precisa se transformar”.

Com palavras diferentes, FHC, aos 87 anos, defende o mesmo que Toffoli, de apenas 51. O melhor é todos compreenderem que precisam participar dessa transformação.

Reforma da Previdência, um dos grandes desafios da governadora Fátima Bezerra

O governador Camilo Santana foi reeleito governador do Ceará, superando com folga outros quatro concorrentes ao cargo. Camilo teve 3.457.556 votos. O segundo colocado, General Theophilo (PSDB), teve 488.438 votos, o que mostra a força política que representa.
Em Brasília, no Congresso Nacional, tramita uma proposta de reforma da previdência que, como se sabe, não será aprovada na atual legislatura. No Rio Grande do Norte, os servidores públicos temem a inadimplência a que está sendo levado seu Instituto de Previdência. Nos dois, casos, não se esperam reformas previdenciárias, por falta de apoio em todos os níveis.
Camilo Santana é filiado ao Partido dos Trabalhadores e entendeu a necessidade de uma reforma que impedisse a inviabilização da previdência estadual. Reeleito, preocupou-se em aprovar mensagem encaminhado ao Legislativo nesse sentido e, ontem, por 30 votos favoráveis e três contrários a reforma da previdência estadual no estado do Ceará foi aprovada.
As mudanças na Previdência estadual aprovadas não irão mexer com a situação de quem já está no serviço público estadual. As três mensagens aprovadas, entretanto, irão alterar profundamente as regras para quem ingressar nos quadros do Governo do Estado de agora em diante. Serão afetados os futuros concursados e quem for convocado para o funcionalismo do Ceará após a publicação das novas regras.
O modelo proposto segue as regras da reforma proposta pelo governo Dilma Rousseff (PT), em 2012, e aprovada no Co0ngresso Nacional, que acabou com a Previdência integral no âmbito da União e criou a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público da União (Funpresp).

A Assembleia Legislativa aprovou também a criação da Fundação de Previdência Social do Ceará (Cearaprev), que atuará na gestão da aposentadoria regular dos servidores, até o teto, e a Fundação de Previdência Complementar do Ceará (CE-Prevcom), que cuidará desse fundo complementar.

No Rio Grande do Norte, o governador Robinson Faria não teve a coragem ou a ousadia de reformar a previdência estadual. Esse será um dos primeiros grandes desafios da governadora eleita, Fátima Bezerra.